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16 de Dezembro de 2018

Fotojornalista sintetiza a tragédia de Minas em imagem impressionante

O fotojornalista Victor Moriyama foi à região do desastre contratado pelo Greenpeace Brasil

Thiago Venco, Diretor Geral
Publicado por Thiago Venco
há 3 anos

Fotgrafo sintetiza a tragdia de Minas em imagem impressionante

Foto de Victor Moriyama.

O fotojornalista vive um dilema ético durante a cobertura de tragédias: documentar ou não a morte, a violência explícita? Seria isso um ato mórbido, que apenas alimenta espíritos fixados em emoções degradantes? Ou seria uma forma de comover espíritos sensíveis? É válido fotografar corpos de pessoas mortas? É isso que os editores querem colocar na capa do jornal, da revista?

Veja aqui a matéria do Greepeace Brasil

Santo Agostinho foi um crítico do teatro grego (que conhecia profundamente) pois recusava a visão que Aristóteles possuía da sublimação da experiência trágica; Agostinho dizia que a arte não servia para aliviar-nos de sentimentos ruins, mas sim, para nos motivar à ação.

O holocausto da 2ª Guerra coincidiu com o aprimoramento das câmeras cinematográficas, que ficaram coloridas e portáteis. O documentarismo portanto pode obter imagens chocantes e realistas como nunca antes se havia visto. Porém, que bem podem fazer as imagens de pilhas e pilhas de cadáveres? O cineasta francês Alain Resnais mesclou em "Noite e Neblina" imagens dos campos de concentração vazios, meras paisagens, com fotos de arquivo, para obter um contraste avassalador - e com intenção "pedagógica" - do que aconteceu no nazismo.

A foto do garoto refugiado morto na praia gerou imensos debates sobre os limites do fotojornalismo. É válido difundir aquela imagen horrorosa? Muda a atitude das pessoas? Aumenta a consciência do problema? Mobiliza adeptos a defender os direitos desses refugiados?

Ao meu ver, esse tipo de imagem é excessiva, pois desperta um fascínio incontrolável do ser humano por sublimar aquilo que talvez seja seu principal temor: a morte. Prefiro fotos como a de Victor Moriyama, que nos dão a exata dimensão do desastre, de forma icônica, direta, precisa e indiscutível.

2 Comentários

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Acho que essa barbárie tem uma foto pior do que a outra, tamanho sofrimento causado. continuar lendo

Quando eu vejo qualquer coisa relacionada a esta "tragédia" - porque não foi tragédia no sentido de "uma tragédia natural" - eu lembro do que um dos mais atuantes filósofos marxistas da atualidade escreveu:

"O capitalismo contemporâneo operou, portanto, o aprofundamento da separação entre, de um lado, a produção voltada genuinamente para o atendimento das necessidades e, de outro, as necessidades de sua auto-reprodução. E, quanto mais aumentam a competitividade e a concorrência inter-capitais, mais nefastas são suas consequências, das quais duas são particularmente graves: a destruição e/ou precarização, sem paralelos em toda a era moderna, da força humana que trabalha e a degradação crescente do meio ambiente"

O capital não tem compromisso com o meio ambiente, apenas com o lucro. E dizia Marx no O Capital, volume 3:

"Nem a sociedade, nem uma nação ou nem mesmo todas as sociedades juntas são proprietárias do globo. São apenas posseiras. E devemos legá-las em melhores condições às gerações futuras."

E parabéns por sua publicação, grande Thiago! continuar lendo